Torquato Vive!

A semana que já vem. É na semana que vem.

Tô no quarto olhando pro teto. Procurando por Torquato Neto. Eu preciso homenagea-lo na semana da poesia. Como fazer para emanar o lirismo torquatiano sem parecer poeta? Magia?  fazer uma outra semana da arte moderna… Não, não dá, sou contemporâneo. Prefiro ser eterno como o Drummond ou Torquato. Será? O tempo é curto meu rei. Ubu Rei. Bumba meu boi. Iê bumba iê iê boi. O último a berrar é a mulher do Padre Vieira! O silêncio berra mais alto que o sol.

Um anjo muito rouco tentou me dizer alguma coisa. Qualquer coisa. Torquato foi anjo papai?  Será? Será que algum anjo tem medo de altura? Será que todo anjo é mesmo bom? Bom, eu sei que nem todo anjo é barroco e nem todo poeta é louco.

O anjo carrega alguma coisa na boca. Uma pétala. Uma pitada de lirismo na língua. A primavera nos dentes. Aperto de mão . É sempre bem-vinda a glória matinal. Nas asas de aviões do anjo peguei carona para o trópico dos Deuses. Uma vaga nos céus que começa com três letras.

O quarto está escuro. Ainda não acendeu nenhuma luz em minha cabeça. Não tem problema, mesmo assim eu me sinto melhor colorido.

Voando por entre livros e livres pensamentos. Nem todo verso é livre . Não estamos livres de conceitos e rótulos. Títulos constituem o homem, mas está escrito na constituição: todo homem é livre para escrever o que bem entender, mesmo que não entenda nada.

Caminhando contra o tempo, voltamos as aulas: quem descobriu o Brasil ? Os modernistas! Todo colonizado aprende a comer o que o colonizador lhe põe na tigela barroca. Só me interessa o que não é meu! Entre uma música dos Beatles e outra dos mutantes, a fome aperta! God save the bananas! O prato está pronto. Preparem as velas. Jantar à luz de velas. Antes o discurso do rei. O rei da vela. O criador!

“ Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. Queremos a revolução caraíba maior que a revolução francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem nós a Europa não teria sequer a idade do ouro. E todas as girls. Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos cristo nascer na Bahia ou em Belém do Pará. Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós.

Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.

O instinto caraíba.

Nunca fomos catequizados. Fizemos foi carnaval. O índio vestido de senador do império.

Contra as sublimações antagônicas. Trazidas nas caravelas.

Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.

A alegria é a prova os nove.

No matriarcado de pindorama.

A nossa independência ainda não foi proclamada. Frase típica de D. João VI: – meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que alguém o faça…”

Estou no caminho certo. Percebo as pegadas e as pegadinhas: – Se você não sabe pra onde vai, todo caminho pode ser o caminho certo. Teria dito Macunaíma o nosso herói (A)marvel.

Torquato é guaraná e guarani. O abre-alas da van guarda tropicalista. Não basta ser antropofágico, é preciso ser atroPOPfágico.Estar antenado como os caranguejos futuristas, com um pé na lama e com um satélite na cabeça. Torquato usa e abusa da cultura dos U.S.A. A América é rica até no nome. O nosso Amoramérica é real e fanástico, é de um realismo fantástico que você pode imaginar. Nós temos o nosso quarteto, Didi, Dedé, Zacarias e Mussum. Viva o mp3 e o mpb4 ! somos loco por ti América. Às vezes um blues pode se tornar o terror da vermelha.

O poeta não deve ser somente pop ele também precisa ser arte. Desfolhar a bandeira, o Manoel, as flores do mal do Charles, o Boudailaire. O mito de sífio e o mito do Silvio, o Santos. Mirando sempre outros continentes. Gritar com o coro dos descontentes.

No meio do caminho tinha uma casca de banana, tinha uma casca de banana no meio do caminho.

Torquato olha com lentes de aumento. Tormento. É o novo continente. Cinema novo mundo. É um texto. Um simples gesto. Um filme. Uma canção.

Paulo, então Torquato era isso? – era isso e aquilo. Um pouco de tudo e muito do nada.

Torquato começa a ganhar formas concretistas :

no

Quarto

No

Teto

No ato

No alto

O feto

O fato.

Normas . Regras de todos os tipos. Não! O poeta é aquele operário do real e do imaginário. Que come pão de açúcar com geléia de strawberry fields. Anoitece tomate e amanhece mamão.  Não é só de fantasias que se faz o carnaval. Não é só de poemas que se faz o poeta! Ele precisa estar com a mão entre o cuscuz e a espada! Uma banana para todos os que preferem o conforto das poltronas na academia brasileira de mentiras a  ao chão nosso de cada dia!

E foi assim, assando a cuca (cuidado que a cuca ainda te pega) Torquato vive em cada um de nós. Não importa a maneira como ele se manifesta. Ainda que ele não reconheça a paternidade,Torquato Neto, nós somos os filhos do tropicalismo, Netos do modernismo,  os frutos na àrvore genealógica da poesia brasileira.

Na nossa terra tem palmeiras, onde cantam todos os pássaros sábios.

Uma leitura performática apresentada no último Turbilhão Poético em homenagem ao grande pai de toda essa “tropicáliada” moderna, na semana da poesia, do chapeleiro maluco Breno Coelho.

Com direito a bananas, Sinatra, geléias e parangolé!

Torquato vive!

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